De Baixo e de Dentro
Crenças Latino-Americanas
Diego Irarrazaval
Apresentação de Paulo Suess
Preço: R$ 15,00
978-85-60990-00-9

Detalhes do livro

Texto da orelha:

“O diálogo entre a teologia latino-americana e as nações indígenas é mais profundo se tratamos tanto os mitos (quer dizer, as raízes da condição humana, cósmica e espiritual) como as utopias (quer dizer, os projetos humanos e a intimidade com Deus). Não vale examinar fatos religiosos isolados, ou, simplesmente, justapor o cristão e o indígena. Tampouco vale uma atitude acrítica e fundamentalista a respeito do assunto indígena. Em vez disso, interessa que nós, cada pessoa e cultura latino-americana, reassumamos raízes e projetos de vida, com a crítica do mal e com a ação vigorosa que caracteriza mitos do nosso continente.”

(De baixo e de dentro, 37)

Sinopse:

As reflexões de Diego Irarrazaval “De baixo e de dentro” têm marcas de itinerário, experiência e testamento; itinerário que mostra muitas facetas e um longo caminhar da teologia latino-americana; experiência pastoral junto aos “de baixo e de dentro”; testamento de alguém que combateu em todas as estações de sua vida o bom combate em solidariedade com os povos indígenas e os pobres, em fidelidade ao Evangelho e lealdade com as instituições eclesiais que nem sempre facilitaram a sua vida. Diego escreve com grande serenidade, continua, porém, inquieto com o grito dos pobres e dos outros, e com a frieza de certas instâncias eclesiásticas que impedem que os “de baixo” sejam assumidos e reconhecidos como os “de dentro”, que de fato são.

Na lógica do Reino, “os de baixo”, os que vivem do lado sombrio do mundo, são caminhos da verdade e porta da vida. As vítimas do anti-reino não são apenas os protagonistas e os destinatários do projeto de Deus; são lugar da epifania de Deus, por excelência. A questão social está estreitamente vinculada à questão da ortodoxia. Pecado significa indiferença diante da exploração dos pobres. No cristianismo, essa pobreza do próprio Deus tem muitos nomes: encarnação, cruz, ressurreição, eucaristia. Na proximidade aos pobres e aos outros, Diego fez por longos anos essa experiência da verdade. Por causa dessa convivência não precisa humilhá-los dispensando idealizações compensatórias. Aponta para a fragilidade de sua situação e procura fortalecê-los com os argumentos de muitos colegas teólogos com os quais está permanentemente em diálogo. Seu livro enfoca um feixe de questões que perpassam a identidade (1), as culturas dos pobres e dos outros (5), a interação cultural (2) e a inculturação (2; 7), a religiosidade popular e oficial (3, 4, 6). Em seu último capítulo (8) propõe leituras especificament e latino-americanas dessa realidade complexa, tarefa difícil nesse momento eclesial em que muitos procuram “soluções” compactas e claras que marcam limites, separação e condições de pertença.

Ao avançar na construção teológica de uma “Igreja Casa dos Pobres”, Diego sabe que existe ainda muito entulho colonial que deve ser afastado. Por isso questiona a herança normativa da cristandade ainda presente na América Latina, propõe novas leituras interculturais e fornece argumentos valiosos para a prática do protagonismo dos pobres e dos outros não só na sociedade, mas também na Igreja.

Paulo Suess