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ítu6.9 O trabalho na roça: o milho
Títu6.10 Alteração das práticas econômicas, o calendário e a changa
Títu6.11 Mudanças na economia, o formato das casas e o tamanho das famílias
Títu6.12 Nomes e status no sistema de parentesco kaiowa
Títu6.13 Chicha: a bebida e o acontecimento
Títu6.14 Trabalho com a fibra de caraguatá
Títu6.15 Panelas de barro e outras manufaturas
Títu6.16 Vestes e adornos corporais
Títu6.17 Líderes religiosos e políticos
Títu6.18 Práticas religiosas contemporâneas
Títu6.19 Kunumi Pepy
Títu6.20 Rituais de belas palavras, ñe’êngatu
Títu6.21 Influência cristã na religião indígena
Títu6.22 Práticas rituais e mudanças ecológicas
Títu6.23 A Colônia Agrícola Nacional de Dourados
Títu6.24 O corpo a corpo com não indígenas no Panambizinho
Títu6.25 A chegada dos valentes na memória indígena
Títu6.26 Dos últimos sarambi às retomadas
Títu6.27 O que ficou para trás com os sarambi
Títu6.28 Os acampamentos
Títu6.29 Ocupação do espaço e mobilidade kaiowa e guarani
Capítulo 7. Pelos caminhos da história: desterro e liberdade

Títu7.1 Quem são os Kaiowa hoje?
Títu7.2 Liberdade e desterro
Títu
Referências
TítuDocumentos FUNAI
TítuReferências bibliográficas
TítuInterlocutores e Interlocutoras indígenas
Títu
Anexos
TítuAnexo 1: Mitos Guarani
TítuAnexo 2: Documentos da FUNAI
TítuAnexo 3: Igrejas atuantes entre indígenas Kaiowa, Guarani e Terena na RID
Títu
Glossário
Títu
Índices
TítuÍndice de pessoas e povos indígenas
TítuÍndice de lugares
TítuTítu˜

Título: História Kaiowa
Título: Das Origens aos Desafios Contemporâneos
Assunto: Povos Indígenas Ameríndios
Assunto: Cultura e religião kaiowa
Autor: Graciela Chamorro
Formato: 16x23
Número de páginas: 320
Editora: Nhanduti Editora 2015
ISBN: 9788560990238
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Graciela Chamorro

Historia Kaiowa. Das Origens aos Desafios Contemporâneos

Título:Sumário
Títu
TítuCapítulo 1. Entre nomes, autodenominações e identidades atribuídas
Títu1.1 Ka’agua como nome genérico
Títu1.2 Ka’agua como etnônimo particular
Títu1.3 Ka’agua [kaiowa] como autodenominação
Títu1.4 Kário e Itatim: guarani falantes da região e seus contatos
Título:nos séculos XVI e XVII
Títu1.5 Sobre nomes e identidades étnicas na história indígena
Capítulo 2. Indígenas falantes de guarani no atual estado brasileiro
Título:de Mato Grosso do Sul: De Itatim a Ka’agua – séculos XVI a XIX
Títu2.1 A época pré-colonial
Títu2.2 Itatim: o lugar e os habitantes
Títu2.3 Aleixo Garcia: o primeiro europeu no Itatim
Títu2.4 Jesuítas e bandeirantes no Itatim
Títu2.5 Líderes itatim resistem à missão jesuítica
Títu2.6 Ka’agua: os grupos embrenhados nas matas
Títu2.7 Os Ka’agua no Paraguai nos séculos XVIII e XIX
Títu2.8 Conflitos entre Mbajá, Ka’agua e “paraguaios”
Títu2.9 Em vez de armas uma pequena cruz
Títu2.10 Filhos e filhas da cruz
Capítulo 3. “Numerosíssima nação refugiada nas vastas matas” – século XIX
Títu3.1 Os sertanistas e sua época
Títu3.2 Os povos indígenas, suas terras e a lei de terras de 1850
Títu3.3 Os aldeamentos indígenas e as colônias militares na fronteira
Títu3.4 Demarcando fazendas “a olho” em terras indígenas
Títu3.5 Os Kaiowa às margens dos rios e nos bosques
Títu3.6 Porto Cayuáz
Títu3.7 Alojamentos, mobilidade e subsistência
Títu3.8 Os caminhos
Títu3.9 “De boa índole, fáceis de reduzir” e carentes de proteção
Títu3.10 “Traziam dentro do orifício um batoque de resina”
Títu3.11 Kaiowa e Guarani
Títu3.12 Grupos indígenas inimigos
Títu3.13 Os Cayuaz “d’além do Paraná” na Província de São Paulo
Títu3.14 Que fim levou a população Kaiowa do outro lado do Rio Paraná?
Títu3.15 Kaiowa e Guarani entre Brasil e Paraguai
Capítulo 4. A “Guerra” e a “Mate” – séculos XIX e XX
Títu4.1 A “Guerra do Paraguai”
Títu4.2 A Guerra guasu, ou a “grande guerra’, na memória kaiowa
Títu4.3 A Guerra na História Indígena
Títu4.4 A Companhia Mate Laranjeira
Títu4.5 López, Vargas e Rondon na percepção kaiowa
Títu4.6 Os japepo e as “ollas paraguai”
Títu4.7 O trabalho de indígenas Kaiowa nos ervais
Títu4.8 Saldo da ação da Mate Laranjeira na história kaiowa
Capítulo 5. Práticas culturais kaiowa e guarani do século XIX ao XX
Títu5.1 De “corpos bem crescidos e belos”
Títu5.2 Adornos corporais
Títu5.3 Habilidades corporais
Títu5.4 De expressões brandas, mas “pertinazes na defesa”
Títu5.5 Língua kaiowa
Títu5.6 A casa e o fogo
Títu5.7 Mobília, utensílios e armas
Títu5.8 Subsistência
Títu5.9 Produção da chicha e a festas do kagwi
Títu5.10 A caça e a festa
Títu5.11 A festa de perfuração do lábio ou Kunumi Pepy
Títu5.12 A festa do Nimongarai
Títu5.13 Casamento
Títu5.14 Parto
Títu5.15 Educação das crianças
Títu5.16 Doenças e deficiências físicas
Títu5.17 Cura
Títu5.18 Enterros
Títu5.19 Música
Títu5.20 Organização social
Títu5.21 Religião
Títu5.22 Tempo e contagem
Títu5.23 Viagens e meios de transporte
Títu5.24 Os Kaiowa e os outros
Capítulo 6. Sucessivos sarambi e novos aldeamentos – séculos XX e XXI
Títu6.1 O Serviço de Proteção ao Índio – SPI
Títu6.2 A passagem de Rondon pela região
Títu6.3 A Missão Evangélica Caiuá
Títu6.4 A vida cotidiana dos Kaiowa na ótica de agentes da missão
Títu6.5 “Fructas de vês”
Títu6.6 Os Kaiowa da região de Dourados e Amambai
Títu6.7 O trabalho nos ervais
Títu6.8 A caça, a pesca e a coleta

Título:Missões efêmeras, mas que tiveram entre outras consequências o desterro de um cacique idoso que desejava “transmitir às gerações vindouras os costumes das gerações passadas”; bandeiras sangrentas que provocaram mortes, fugas e escravidão; ataques dos indígenas Mbajá que acabaram com a presença de povos guarani falantes no antigo Itatim; a Guerra da Tríplice Aliança, com a consequente exploração humana nos ervais e nas fazendas de gado; o desflorestamento e a implantação de novas fazendas que significou para o povo indígena uma perda lenta e progressiva de seu território. A história kaiowa pode ser vista desta maneira, como uma sucessão de catástrofes, todas devidas a atores externos que alteraram, moldaram, mudaram e continuam mudando o futuro deste grupo humano, pois catástrofes resultaram em mortes, deslocamentos forçados, exploração, discriminação, perda de terras e pobreza. Transformaram os antigos Itatim dos primeiros conquistadores em desprezados Ka’agua, “gente do mato”, “selvagens”.
Título:Neste livro, Graciela Chamorro quis entranhar-se na história kaiowa, mas sua obra nos leva muito além desse simples propósito. Apesar de deixar claro que não é indígena, que seu olhar é necessariamente externo, Graciela conseguiu nos contar o passado dos Kaiowa, mas também o passado “a la kaiowa”, à maneira desse povo: uma história que, longe de ser letra morta ou motivo de lamentos, é um impulso para o futuro, uma direção a seguir, um canto à vida.
Título:Como a autora mostra, os Kaiowa costumam dividir sua história em três tempos: o tempo do ymã guare – o tempo de antes, o tempo de liberdade, das coisas boas; o tempo do sarambi, “bagunça, espalhamento compulsório” – o tempo sombrio da perda territorial, dos deslocamentos forçados, da pobreza e da miséria, é o tempo destas catástrofes que evoquei acima, embora nem todas ficassem inscritas na memória coletiva do povo. Contudo, na história kaiowa existe um terceiro tempo: o tempo de hoje, o “tempo do direito”, da luta por sua terra e seus direitos, o tempo em que o desprezado Ka’agua se transforma em um orgulhoso Kaiowa.
Título:Sendo assim, este livro é uma caminhada pela história kaiowa, tal como a podemos conhecer e reconstruir a partir das fontes históricas, sobretudo desde o fim do século XVIII quando aparece o grupo como tal e com este nome: quando sucessivas catástrofes (missões, bandeiras etc.) já puseram um fim aos antigos Itatim, fazendo surgir os Ka’agua. Mas o livro navega também entre as recordações da memória coletiva kaiowa, a história oral, a mitificação dos acontecimentos históricos, sem jamais cair na armadilha onipresente que consistiria em opor uma visão “historicamente correta” – a acadêmica – àquilo que seria uma simples “representação kaiowa” do passado. Os relatos indígenas mesclam e entretecem elementos históricos, elementos míticos kaiowa e elementos míticos cristãos, numa leitura própria daquilo que ocorreu. E esta
leitura é mais do que uma simples “representação”. Ela existe e, como tal, condiz com o que a história é para o povo Kaiowa: “uma espécie de luz que chama para o modo de agir considerado bom. O discurso mítico define o sentido do caminhar e fornece a direção para onde se caminha, sendo que esse caminhar se realiza na história”. Não é nenhum acaso que as terras reivindicadas como tradicionais pelos Kaiowa, e pelas quais eles lutam hoje neste tempo “do direito”, sejam chamadas por eles “tekoharã, nosso futuro tekoha, o lugar no qual viveremos segundo nossos usos e costumes” – uma expressão que, certamente, teria alegrado, e muito, aquele antigo cacique itatim desterrado.
Título:Este passado mitificado e idealizado tampouco é o passado “puro” de uns indígenas que teriam permanecido impermeáveis ao passar do tempo. Ao contrário, o relato sobre o passado alimenta-se desses acontecimentos, dessa história “de outros”, provocada “por outros” (missionários, fazendeiros, sertanistas, bandeirantes etc.), mas que acabou forjando a história kaiowa e o ser kaiowa de hoje: graças à sua história peculiar, os Kaiowa levam hoje o nome dos antigos Ka’agua, graças à sua história também se declaram hoje “filhos da Cruz”. Definitivamente, o discurso kaiowa sobre o passado, embora esteja idealizado, ou talvez melhor, justamente porque está idealizado, é uma crítica feroz às calamidades do segundo tempo do sarambi, e assim um chamado para lutar, um chamado político para tornar possível um mundo melhor.
Título:É também desta maneira, “a la kaiowa”, que interpreto todo o livro de Graciela Chamorro. Não poderia ter sido escrito por outra pessoa, por alguém que não tivesse sua sensibilidade, seu profundo conhecimento do teko kaiowa e a capacidade compartida com eles “de dizer ‘sim’ à vida”. Nesta simpatia – no sentido etimológico da palavra – está a diferença do livro de Graciela; graças a esta simpatia, também a tarefa acadêmica de “escrever uma apresentação” se transforma para mim em ocasião de expressar admiração e gratidão por seu ensinamento, sua generosidade e seu entusiasmo contagioso. Mas há algo em que discordo, sim, de ti, Graciela: é verdade que teu livro, assim como outros, descreve os tempos tenebrosos do sarambi; mas ele não se localiza nele: ele pertence ao “tempo do direito” – o direito de conhecer sua história, de aprender dela – e, como tal, pertence ao futuro.
Título:
Título:Isabelle Combès
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