Texto da orelha:
O terceiro magistério é dos pobres (as pessoas destituídas, desapossadas, desalojadas e discriminadas) que formam a massa dos povos asiáticos, junto com sua forma específica de religiosidade cósmica, constituem uma escola onde muitos ativistas cristãos se reeducam na arte de falar a língua do Reino de Deus, quer dizer, a língua da libertação que Deus fala por meio de Jesus. Nem o magistério acadêmico nem o magistério pastoral estão fluentes neste idioma evangélico. (...)
O que acontece nas Comunidades Humanas de Base é uma verdadeira simbiose de religiões. Cada religião, desafiada pela aproximação única de outra religião à aspiração libertadora dos pobres descobre-se e renomeia-se em sua especificidade, em resposta às outras aproximações. O que descrevi como unicidade cristã na experiência da Comunidade Humana de Base reflete tanto o processo como o produto de uma simbiose.(Viver e arriscar, 80)
Sinopse:
Cristianismo e Budismo se reencontram neste livro de Pe. Aloysius. Um reencontro de respeito e harmonia, com o propósito comum de beneficiar a todos os seres. A reflexão principal é sobre o papel das religiões e dos religiosos na transformação social, plena de justiça e de cuidado amoroso. Diálogo inter religioso entre Budismo e Cristianismo, onde o encontro transforma a um e ao outro. Não com o intuito de conhecer para poder melhor se inserir e forçar a sua tradição sobre a outra.
Mas no verdadeiro sentido de conhecer, apreciar, dar as mãos e juntos agir para salvar, libertar tanto os oprimidos como os opressores, libertar das amarras da ignorância, da intolerância, da manipulação, do desrespeito ao diferente. Libertar das discriminações, preconceitos, das guerras, das injustiças, dos abusos e dos diabos comuns às duas tradições.
Um Cristianismo que não se impõe como verdade absoluta e única salvação, mas que se propõe a cuidar dos pobres e dos oprimidos, que se propõe a compreender o outro, respeitar suas tradições e ao mesmo tempo oferece o olhar de Cristo, puro e translúcido, sobre culturas asiáticas. O Budismo do Sri Lanka o acolhe e o leva a presenciar uma cura espiritual em um vilarejo, onde monges dançam mascarados como vários demônios, demônios que perdem todo peso e domínio sobre as pessoas, quando seu simbólico bailarino – caricatura engraçada – faz com que perca seu cunho de terror.
Padre Aloysius, neste trabalho de religião comparada, coloca mais uma irmã junto às filhas da Esperança de Agostinho – o humor. Assim, a Esperança precisa da Ira, sua primeira filha – a indignação frente aos abusos de poder, frente às injustiças sociais. Indignação que se torna uma alavanca de transformação do mundo. Mas essa transformação só existe se houver a Coragem – a segunda filha da Esperança. Padre Aloysius então sugere a terceira filha – o humor, que aprende dos monges budistas. Humor para transformar o mundo. Lembrando a história de Sidarta, o jovem que se tornará Buda, que aprende a rir de si mesmo, a rir de seus demônios, dos diabos – aquilo que divide e separa – no eterno retorno ao uno absoluto. Pe. Aloysius, que se mistura com os povos dos locais por onde passa, possui o olhar capaz de ver e de aceitar, de agradecer e de comungar com todos, sem perder sua fé e seu caminho.
Sem dúvida este livro é um presente para o Brasil, neste momento em que novos grupos religiosos combatem grupos antigos e se recusam ao encontro e ao diálogo. Sejamos capazes de ler, entender e por em prática os ensinamentos de amor e cuidado terno, plenos de sabedoria e de humor tranqüilo que esta obra inspira.
Mãos em prece
Monja Coen